Vagrant Story

Vagrant Story: os 20 Anos de um “Rei Sem Coroa”

Lançado no dia 10 de fevereiro do ano 2000, Vagrant Story é, na minha visão, um Rei Sem Coroa… e vou explicar o porquê disso…

Veja bem: quando pessoas começam a relembrar dos grandes RPGs do PS1, é muito comum as citações focarem em títulos da franquia Final Fantasy ou em belos jogos, como Xenogears, Chrono Cross, Legend of Mana, Breath of Fire e outros gigantes da era do PS1, não é verdade?

Após citar muitas lendas, é comum as pessoas dizerem algo do tipo: “Ah… e tem Vagrant Story também”. Isto é, o game, por algum motivo (creio eu, a sombra do PS2), não recebeu as glórias que merecia.

O fato de o jogo ter “nascido e morrido” no PS1 pode ter ajudado as pessoas a se esquecerem dele. No entanto, Vagrant Story é, sem dúvidas, um dos maiores RPGs de toda a história. Isso é um fato!

Bem, outro fato é o aniversário de 20 anos do game, que aconteceu no último dia 10 de fevereiro. E foi esse aniversário que me motivou a escrever este post.

Confesso que baixei o game para jogar (via emulador), mas resolvi não fazer isso antes de escrever. Para fazer justiça a Vagrant Story, vou fazer uma homenagem com base nas grandes memórias que o game me deixou… vamos relembrar juntos?

Vagrant Story: “40/40”, Famitsu

Quando foi lançado, há 20 anos, Vagrant Story surgiu como uma grande surpresa. O game não pertencia a nenhuma das franquias lendárias da época e, a princípio, era uma grande aposta da Square (que ainda não era a Square Enix).

Porém, a qualidade do game não demorou muito para deixar os fãs e a mídia especializada boquiabertos. Já em maio do ano 2000, o game havia entrado para o “Top 5” dos jogos mais vendidos do PS1 e angariado classificações assustadoras junto aos críticos.

Detalhe: Vagrant Story foi o único game do PS1 a receber a nota 40/40 da famosa Revista Famitsu. E esse foi um feito impressionante.

Resumindo, em termos de resultados e reconhecimento, na época em que foi lançado, Vagrant Story foi um melhores jogos de PS1. Mas o que levou o game a ser “esquecido”?

Sinceramente, embora muitos fãs relembrem do jogo com carinho, ele não é tão famoso quanto muitos dos seus contemporâneos.

Anos após o lançamento do game, a Square Enix o relançou para PS3 e PSP, em um formato digital. Entretanto, estamos vivendo a “onda dos Remakes e Remasters” e vejo poucas menções a esse grande clássico nas listas de games mais desejados. É uma pena…

Vagrant Story: as minhas memórias desbotadas…

Quando joguei Vagrant Story pela primeira vez, eu era apenas um garoto. Eu já gostava de jogos de RPG, mas meu inglês ainda estava sendo desenvolvido, assim como a minha paciência.

Isso quer dizer que acabei “pulando” uma boa parte da trama e dos diálogos, nessa minha primeira experiência com o jogo. A minha intenção era evitar a “falação” e me dedicar aos incríveis combates do game e ao sistema de criação de armas.

Sim, fui bem superficial em meu primeiro contato com essa lenda. Naquela época, eu era o tipo de jogador que curtia RPGs com belos sistemas de combate.

Para você ter uma ideia, eu abandonei Final Fantasy VII para jogar Tales of Phantasia (em japonês), pois o sistema de combates do jogo da Namco (hoje Bandai Namco) me arrebatou.

Enfim, o fato é que o meu “approach” superficial não me permitiu aproveitar a grande trama de Vagrant Story. Todavia, essa primeira aventura já fez com que eu ficasse impressionado com as mecânicas do game.

Os combates do título são uma mescla perfeitamente equilibrada de estratégia e ação. Escolher a arma certa, definir o alvo, realizar combos complicados… todos esses elementos conseguiram me deixar “vidrado” no game.

Resultado: “zerei o jogo”… e não entendi o final!

A minha segunda experiência em Leá Monde

Anos após a minha primeira experiência com Vagrant Story, resolvi jogar a aventura mais uma vez. Eu já estava um pouco mais velho e já havia adotado a filosofia de “degustar as histórias do games e seus detalhes”.

Na verdade, eu lembro de dizer para alguns amigos: “vou jogar para ver se eu entendo o final do jogo”. E aí… Vagrant Story provou ser uma das melhores histórias que eu já experimentei no mundo dos games.

A aventura se passa em uma cidade fictícia chamada Leá Monde. Essa cidade faz parte do reino de Valendia, que sofre com uma guerra civil.

Detalhe: Valendia está situado no mundo de Ivalice. Esse mundo foi criado pela Square e serviu como plano de fundo para outros games como Final Fantasy XII e Final Fantasy Tactics (aliás, há muitas referências a FFT em Vagrant Story).

Retomando… a história é protagonizada por Ashley Riot, um agente de uma força de elite que vai até Leá Monde para investigar uma conspiração contra o reino e acaba se vendo envolvido em diversas maquinações.

Enquanto avança com as investigações Ashley interage com muitos personagens complexos, como o icônico Sidney Losstarot (um antagonista bem “badass”, por sinal).

Em suma, a história é um verdadeiro filme. Os diálogos são ricos (exibidos em balões, no melhor estilo “Comic Book”), os flashbacks são emocionantes e o final… Bem, sem ousar dar spoilers, posso dizer que o desfecho da história é confuso, mas surpreendente e vale o tempo investido no game.

O meu “comercial”…

Antes de finalizar este post, gostaria de deixar aqui o “meu comercial”, ou seja, um breve texto com motivos para você experimentar esse game, caso não o tenha jogado, é claro.

Logicamente, se você já jogou o game… o “comercial” pode fazer você querer jogar de novo. Vamos lá…

Vagrant Story: O Rei Sem Coroa

Dentre os muitos RPGs memoráveis que foram lançados durante a era do PS1 (a era de ouro dos RPGs), Vagrant Story é uma singularidade preciosa. O game conta com um visual 3D impecável e uma trama digna do cinema.

Falando em cinema, cenas “cinematográficas”, ao melhor estilo Metal Gear Solid, podem ser vislumbradas ao longo da aventura. As construções levam o PS1 ao limite e se apresentam como o auge da maestria da Squaresoft (hoje, Square Enix).

Para quem curte belos sistemas de batalha, Vagrant Story também é um prato cheio. Embora a movimentação seja livre, o alcance da arma selecionada tem influência direta sobre o combate. O jogo é tão bem desenvolvido nesse sentido que a sua melhor arma pode vir a se tornar a pior, em determinados casos.

E essa particularidade do sistema de combates é o que leva o sistema de criação de armas a ser tão incrível. Vagrant Story é um daqueles jogos nos quais o player pode, facilmente, “não ver o tempo passar” enquanto está tentando criar uma arma mais poderosa.

Para completar, embora o jogo se passe inteiramente em uma única cidade, as construções em 3D exibem uma complexidade surreal. Explorar as dungeons é desbravar ruínas, cavernas, florestas, becos, vielas e ainda encontrar inimigos de diversos tipos.

Vagrant Story é um game que deixa marcas. É um Rei Sem Coroa, tal qual a seleção Holandesa de 1974, que não foi campeã do mundo, mas se tornou uma das mais importantes de todos os tempos.

Vagrant Story: 20 anos merecem uma nova experiência

Chegamos ao fim deste post e eu espero que as minhas palavras tenham sido suficientes para prestar as devidas homenagens a um game lendário. Vagrant Story foi um marco na minha “carreira gamer” e, creio eu, nas carreiras de outros players também (especialmente os fãs de jogos de RPG offline).

Como eu destaquei, em meio à “onda dos Remakes e Remasters”, fico surpreso por não ver esse game figurando no topo das listas de mais desejados. Sim, um Dino Crisis Remake seria incrível, assim como o vindouro Final Fantasy VII Remake tem tudo para ser, mas Vagrant Story merece um retorno digno da sua grandeza.

Por ora, enquanto não temos qualquer menção a esse sonho, irei me dedicar a uma terceira jornada pela cidade de Leá Monde. Sim, este post me fez querer jogar Vagrant Story mais uma vez. E se você também ficou com vontade ou este post lhe ajudou a reviver boas memórias, fique à vontade para falar sobre isso nos comentários, beleza? Até a próxima…

Yohan Bravo