Trials of Mana: as Impressões Nostálgicas da Demo

Trials of Mana: as Impressões Nostálgicas da Demo

No dia 18 de março, a Square Enix liberou a demo do aguardado Trials of Mana e fez a alegria dos milhões de fãs dessa franquia tão memorável (sim, eu sou um desses milhões).

Apesar de a história da franquia ter começado no Super Nintendo, minha primeira experiência com o mundo de Mana se deu com o meu amado Legend of Mana (um dos meus jogos favoritos). Foi esse título do PS1 que me fez ficar apaixonado pelas histórias da “árvore e da espada”.

Por conta dessa paixão, eu tenho acompanhado todas as notícias relacionadas a Trials of Mana de perto. Nesse sentido, a demo acabou sendo uma espécie de recompensa por todo o meu trabalho duro.

Resumindo, joguei a demo até o fim e resolvi criar este pequeno preview de tudo que está por vir. Trials of Mana será lançado no dia 24 de abril, para PS4, Switch e PC e espero que as minhas palavras ajudem você a decidir se vai querer embarcar nessa aventura… vamos começar?

Onde Trials of Mana se encaixa

Como eu destaquei, Trials of Mana pertence à famosa série Mana, chamada de Seiken Densetsu, no Japão. Para quem não sabe, essa série foi criada para ser uma história secundária da franquia Final Fantasy. Aliás, o primeiro Seiken Densetsu é o icônico Final Fantasy Adventure (ou Mystic Quest).

Em determinado momento, a Square (que ainda era Squaresoft) resolveu dar ao universo de Mana uma “série própria” e uma lenda chamada Secret of Mana (Seiken Densetsu 2) nasceu.

Esse primeiro título recebeu aclamação universal e até hoje é citado como um dos melhores RPGs de todos os tempos. Diante de tanto sucesso, a Square decidiu lançar uma continuação… Seiken Densetsu 3 ou Trials of Mana (nome dado apenas em 2019).

No entanto, esse título foi lançado somente no Japão. Isto é, o povo do Ocidente jamais pôde experimentar essa aventura.

Logicamente, traduções “fan-made” e uma versão em inglês (lançada na Collection of Mana) supriram a necessidade das pessoas que procuraram pelo game. Ainda assim, somente agora, com o remake, teremos uma experiência digna de uma lenda.

E agora… vamos falar sobre o game!

Trials of Mana: é “inédito”, mas é nostálgico…

Já nos primeiros momentos do game, quando o contexto geral é apresentado, fui tomado por um forte sentimento nostálgico. Ver a “árvore e a espada” fez com que eu relembrasse grandes momentos da minha infância.

Como um player que gosta de finalizar tudo que começa (um dia eu vou lhe contar sobre a minha luta com a franquia Tales Of), fiquei empolgado para começar a explorar o “capítulo perdido” da história da série Mana.

Para começar, você deve escolher um personagem principal, dentre seis heróis disponíveis, e dois coadjuvantes. Minha equipe ficou assim: Hawkeye, Kevin e Charlotte.

 

Após o “start”… os sentimentos

Nos primeiros momentos da jornada, tive a confirmação de algo que os trailers já haviam indicado: o visual do game é lindo, assim como o de todos os jogos da franquia Mana. Sinceramente, o estilo artístico dessa série é um dos mais belos do mundo dos games.

Não à toa, certos jogos da franquia, que não eram tão bons, foram acusados de “enganar” os players com um visual tão impressionante, que mascarava o “gameplay pobre”.

Enfim, no quesito visual, Trials of Mana é um espetáculo à parte. As construções remetem a Dawn of Mana (título do PS2) e oferecem uma experiência visual muito requintada.

A narração (sempre jogo com o áudio japonês) é bem divertida e os diálogos têm uma ingenuidade que acaba cativando. Na verdade, essa ingenuidade (ou inocência, se preferir) é uma prova de que o game é realmente um remake.

Apesar de ser um jogo moderno, Trials of Mana é um reflexo de uma era que já não existe mais. Sim, o jogo tem uma trama bem complexa, com conflitos políticos, assassinatos, personagens problemáticos… mas tudo é apresentado de uma forma tão leve, que é impossível você não ficar encantado(a).

Esse teor ingênuo (que muitos chamarão de infantil), para mim, foi um dos grandes destaques da minha experiência com a demo.

Noutra ponta, temos o gameplay…

Um bom Action-RPG

Seguindo a linha da série Mana, Trials of Mana é um Action RPG. O jogo conta com um belo sistema de desenvolvimento de personagens e habilidades (que podem ser equipadas, como se fossem armas e armaduras).

O sistema de combates é bem movimentado e pode muito bem ser considerado uma evolução do sistema apresentado em Legend of Mana.

Ok, a lenda do PS1 apresentava lutas em 2D e foi uma singularidade na série. Todavia, Trials of Mana apresenta os inimigos já no mapa e você pode vê-los. Ao se aproximar, você entra em uma batalha e fica “preso(a)” a determinada área até a batalha se acabar, assim como acontecia em Legend of Mana.

A diferença, nesse caso, está na perspectiva (terceira pessoa) e na fluidez. Legend of Mana tinha um movimentação bem “travada” durante os combates, Trials of Mana não tem.

Outro detalhe interessante é a questão dos golpes especiais. Ao aprender novas habilidades, esses golpes pode ser equipados nos heróis. Mais uma vez, essa ideia se apresenta como uma evolução daquilo que encontramos em Legend of Mana. Isto é, “carregou a barra de especial, liberou o ataque mortal”.

Cabe destacar que os players contam com uma equipe de lutadores. Logo, é possível mudar o personagem em foco (quando necessário). Nesse sentido, o game me remeteu a um jogo “underrated” da Square Enix…

Você se lembra de Infinite Undiscovery?

Infinite Undiscovery foi um projeto desenvolvido pela Tri-Ace e publicado pela Square Enix, em 2008, de forma exclusiva para o Xbox 360. O game apresenta uma das histórias mais interessantes que pude acompanhar, mas, infelizmente, pouca gente reconhece a grandeza dessa game.

Como eu zerei esse jogo, consegui verificar diversos pontos em Trials of Mana que parecem ter sido inspirados por ele. O sistema de combates é praticamente o mesmo, a movimentação, o jogo de câmeras. Realmente, as semelhanças me chamaram muita atenção.

Portanto, no que tange ao gameplay, Trials of Mana apresenta inspirações “pesadas” e uma execução impecável, dentro da proposta do título.

O que eu poderia criticar é a falta de desafio. As lutas me pareceram fáceis demais, até mesmo o encontro com o único chefão da demo é bem tranquilo (Dawn of Mana foi bem mais complicado).

Obviamente, precisarei jogar mais para saber se essa impressão mudará ou não. De qualquer forma, em termos de combates, Trials of Mana cumpre o que se espera de um bom Action-RPG.

Detalhes interessantes

Mesmo que a demo acabe dando maior ênfase aos combates e aos primeiros momentos da trama, consegui captar alguns detalhes bem interessantes.

Para começar, temos diversos elementos que respeitam o legado da franquia (chorei de rir com os “vendedores dançarinos”). Você encontra referências nostálgicas em muitos pontos, até mesmo nas “estátuas de save”.

Esse cuidado é algo que apenas aumenta o apelo emocional do título. Para quem é fã da franquia, ver essas coisas conta muito.

Por exemplo, o chefão da demo, o Fullmetal Haggar (ou Hugger, como traduzem alguns fãs) marcou presença em outros games da série. Poder enfrentá-lo novamente foi algo muito marcante.

Além disso, o game ainda tem um interessante sistema de plantio. Você pode levar sementes até os “INNs” e plantá-las em um vaso mágico, a fim de conseguir novos itens.

E, claro, os espíritos elementais também marcam presença no game. Na minha experiência, me deparei com Lumina, o espírito da Luz (que também já foi chamado de Wisp).

Em suma, os detalhes são mais voltados a quem tem uma história com a franquia. Ainda assim, eles apenas ajudam a aumentar o apelo do título.

E o que dizer da trama?

Conforme eu já destaquei, o jogo é marcado por uma ingenuidade arrebatadora. Porém, isso não quer dizer que Trials of Mana não trate de temas “pesados” ou complexos.

Na história do personagem Hawkeye, que foi o protagonista que eu selecionei, tudo começa com um assassinato e uma vilã que manipula o líder da guilda dos ladrões de Nevarl. Essa vilã toma a “princesa” da guilda como refém e força o protagonista (dessa história) ao exílio. E essa é apenas uma das seis linhas da história que os players podem seguir.

Em um contexto geral, temos a “mesma ladainha de sempre”: temos a árvore de Mana, seres malévolos (os Benevodons), os espíritos elementais, vilões colocando as nações em guerra, conflitos raciais… um “pacote perfeito” para quem curte boas histórias.

E um ponto que merece destaque é o seguinte: o criador da série Mana, Koichi Ishi, já declarou que os jogos da franquia não possuem uma ligação, apenas estão situados no mesmo universo conceitual. Contudo, Trials of Mana e Heroes of Mana (do Nintendo DS) têm um elo muito forte.

A título de curiosidade, os eventos de Heroes of Mana acontecem dezenove anos após os eventos de Trials of Mana. Os reinos, certos acontecimentos… muitas coisas apresentadas nos dois jogos têm relação. Interessante, não acha?

Trials of Mana: um presente para os fãs da Árvore e da Espada

De modo geral, minha experiência com a demo de Trials of Mana foi muito positiva. E não, não estou sendo tendencioso (por gostar da franquia). O game não é inovador, tem um sistema de combates que tende a se tornar tedioso e apresenta um “ar infantil” (algo que muitos podem não gostar).

Entretanto, a forma como a Square Enix respeitou o legado da série Mana e os fãs é algo que merece aplausos. Em diversos momentos da demo, pude verificar detalhes que mexem com o lado emocional de quem já experimentou outros jogos da franquia. É um game que evoca memórias muito prazerosas.

E mais, eu não citei anteriormente, mas a trilha sonora é tão linda que faz as sensações nostálgicas atingirem outro patamar.

Por esses e outros motivos, indico Trials of Mana para todas as pessoas que gostam da franquia ou de jogos de Action RPG com temáticas fantasiosas e belas tramas.

Para encerrar, registro aqui o meu agradecimento ao Sir Arthuro, membro da GamesMAX, por ter me emprestado a sua cópia do Legend of Mana, há quase vinte anos. Foi esse meu irmão de longa data que me mostrou o mundo de Mana e me preparou para observar Trials of Mana com todo o carinho.

É isso… Trials of Mana será lançado no dia 24 de abril para PC, PS4 e Switch e promete “reapresentar” uma aventura épica aos players… Como eu não gosto de histórias sem conclusão e não quero esperar, vou começar a jogar o título original, via emulador… De qualquer forma, espero que você goste do game tanto quanto eu gostei. Até mais…

Yohan Bravo