Final Fantasy Tactics e a Busca por um Sucessor Espiritual

Final Fantasy Tactics e a Busca por um Sucessor Espiritual

Lançado em 1997 (1998, no Ocidente), Final Fantasy Tactics é o meu jogo favorito dentro da franquia Final Fantasy e um título idolatrado por milhões de fãs que, assim como eu, entendem que a história de FFT (abreviação usada pelos fãs) é uma das mais incríveis que já foram contadas no mundo dos games.

Final Fantasy Tactics tem um enredo extremamente complexo e arrebatador. Na verdade, a história do game é tão grandiosa que os sistemas de combate e de desenvolvimento de personagens, que são excelentes, acabam ficando em segundo plano.

E por ser tão idolatrado, o game passou a ser uma referência entre os RPGs táticos. Sim, esse é aquele tipo de jogo que é citado em buscas do tipo: “jogos iguais a Final Fantasy Tactics”.

Curiosamente, essas buscas sempre geram uma boa quantidade de resultados. No entanto, geralmente os fãs não conseguem encontrar aquilo que chamamos de “um Sucessor Espiritual”.

Bem, foi pensando em apresentar os resultados da minha busca por esse Sucessor Espiritual do icônico Final Fantasy Tactics que eu criei este artigo. Isto é, se você também ama esse lendário game, sugiro que não deixe de ler até o fim, pois posso adiantar uma coisa: acho que eu, de certo modo, finalmente encontrei o tal do sucessor… vamos dar uma olhada?

Final Fantasy Tactics: o resumo de uma obra-prima…

Como eu destaquei, Final Fantasy Tactics foi lançado em 1997 no Japão e chegou em 1998 ao Ocidente. Embora a intenção deste texto seja encontrar um sucessor espiritual para FFT, temos uma situação curiosa aqui: o jogo é o sucessor espiritual de Tactics Ogre: Let Us Cling Together, que foi lançado em 1995 (para o Super Nintendo).

E só para deixar tudo bem claro, permita-me explicar que o termo Sucessor Espiritual é atribuído a obras que não contribuem diretamente para o enredo da obra anterior (esse seria o caso das sequelas ou prequelas), mas apresentam elementos, estilos e temas que remetem a ela.

Isto posto, podemos dizer que FFT deve muito do seu sucesso a Tactics Ogre. Aliás, Tactics Ogre pode ser considerado um dos títulos mais importantes dentro do universo dos RPGs Táticos. Seu visual e suas mecânicas ajudaram a dar vida a esse subgênero.

De todo modo, voltando a Final Fantasy Tactics, o que encontramos no jogo é um conjunto digno de uma lenda: um sistema de combates muito estratégico e bem desafiador; um sistema de “Jobs” viciante; um visual muito bem desenhado; e, mais importante, uma história impecável…

O que há de tão incrível na história de Final Fantasy Tactics?

Quem jogou FFT sabe que questões envolvendo religião e tramas políticas são abordadas de forma profunda no game. A corrupção dos “homens santos” e da nobreza (que é tudo… menos nobre) é explorada de uma forma genial no game.

Caso você não tenha jogado, posso dizer que a história tem como protagonistas dois amigos de infância: Ramza e Delita. Ambos foram criados dentro da família Beoulve, mas Ramza possui sangue nobre, Delita não.

Por circunstâncias que não posso revelar, pois seria um SPOILER, Ramza e Delita acabam tomando rumos diferentes em suas jornadas. Todavia, ambos lutam contra a podridão dos sistemas manipulados pelas grandes instituições de Ivalice.

Como os dois amigos seguem caminhos distintos, muitas vezes eles acabam entrando em conflito. Ramza chega a ser tratado como herege, Delita se torna um rei.

É bom destacar também que todos os eventos são contados por um historiador chamado Alazlam Durai, 400 anos após a Guerra dos Leões (que foi o grande evento que levou Ramza e Delita a lutarem para mudar o mundo).

Enquanto vamos desvendando a história contada por Alazlam, acabamos ficando encantados com os desfechos. Na versão do game para PSP, intitulada Final Fantasy Tactics: The War of the Lions, o jogo ainda ganhou algumas cenas especiais, que exibem um estilo artístico único e aumentam o apelo do enredo.

Sem sombra de dúvidas, todos os eventos de Final Fantasy Tactics são tão bem escritos que poderiam, facilmente, ser transformados em um livro ou um filme.

A nova referência entre os RPGs Táticos…

Por mais que Tactics Ogre: Let Us Cling Together tenha sido um grande precursor dos RPGs Táticos, FFT se tornou uma marca tão poderosa que acabou se transformando na nova referência desse subgênero.

Como eu destaquei no início deste texto, buscas como: “jogos iguais a Final Fantasy Tactics” se tornaram muito comuns, após o lançamento desse jogo. E não é sem motivos, FFT conseguiu dar uma “cara” mais atrativa para os RPGs Táticos.

O sistema de “Jobs”, por exemplo, é algo que poucos jogos conseguiram replicar com a mesma qualidade do título da Square. Esse sistema permite que os players criem personagens de diversas classes.

Se me lembro bem, o nobre Sir Arthuro, aqui da GM, costumava colocar seu Ramza como um Monk (Monge). Eu fazia o meu Ramza se tornar um Lancer (Lanceiro). E, nesse sentido, as possibilidades eram muitas.

Para ser sincero, esse é um dos poucos jogos que me forçaram a ficar melhorando os personagens apenas para poder liberar novos “Jobs”, a fim de promover testes com novas formações.

Em suma, FFT encanta com a história e garante que a “parte jogável” seja de alto nível. O jogo definiu muitos dos padrões que são utilizados hoje em dia, nos jogos de RPG e Estratégia. E isso fica muita claro quando analisamos o legado de Final Fantasy Tactics.

O Legado de FFT…

Quando um jogo realmente dá origem a um padrão replicado pela indústria, seu legado acaba se tornando eterno. No caso de Final Fantasy Tactics, o legado do game pode ser encontrado nos outros jogos da franquia e em outros títulos que se encaixam no subgênero RPG Tático. Vejamos alguns exemplos…

Final Fantasy Tactics Advance

Como a história contada em FFT teve seu fechamento no próprio título, Final Fantasy Tactics Advance, lançado em 2003 (para o Game Boy Advance), tratou de apresentar uma nova história.

O jogo foca na jornada de um garoto que é transportado para o mundo de Ivalice. Esse garoto, chamado Marche, acaba se envolvendo em uma trama bem interessante, mas não tão profunda quanto a do seu “antecessor”.

Final Fantasy Tactics Advance fez relativo sucesso e agradou aos fãs de FFT, mesmo apresentando muitas novidades, como a presença de juízes e leis que regem os conflitos. Definitivamente, um ótimo jogo.

Final Fantasy Tactics A2: Grimoire of the Rift

Lançado em 2007, para o Nintendo DS, Final Fantasy Tactics A2: Grimoire of the Rift pode ser considerado um Sucessor Espiritual do FFT Advance. Digo isso, pois o game possui muitas mecânicas que replicam as estruturas do jogo de 2003.

Nessa aventura, a história também começa com um garoto, chamado Luso, que encontra um livro mágico e, ao escrever seu nome em uma das páginas, acaba sendo transportado para o mundo de Ivalice.

Em termos de gameplay, Final Fantasy Tactics A2: Grimoire of the Rift é muito semelhante a FFT Advance também, embora alguns aspectos tenham ficado um pouco mais refinados, como o sistema de “Jobs”, por exemplo. Resumindo, outro game de qualidade.

Hoshigami: Ruining Blue Earth

Altamente criticado por suas batalhas extremamente difíceis, Hoshigami: Ruining Blue Earth, de 2001, é um RPG Tático desenvolvido pela Atlus. O jogo foi lançado originalmente para o PS1 e depois ganhou um remake para o Nintendo DS (esse remake, de 2007, ajustou a questão da dificuldade excessiva).

Em Hoshigami: Ruining Blue Earth, a influência de Final Fantasy Tactics é evidente. O jogo até apresenta mecânicas diferenciadas, mas é inegável que há muita coisa de FFT em seus conceitos.

No que tange à trama, o jogo não decepciona e consegue fazer com que a história do mercenário Fazz se apresente de uma forma bastante envolvente. A trama tem muitos conflitos políticos e maquinações cujos desfechos surpreendem. Grande jogo… e um grande desafio também!

Menções Honrosas

Infelizmente, não posso ficar apresentando todos os games influenciados pela “máquina FFT” ou este texto viraria um livro… Por conta disso, vou apenas enumerar abaixo alguns títulos que podem ser bons resultados para a pesquisa “jogos iguais a Final Fantasy Tactics”, confira:

Logicamente, o subgênero RPG Tático tem outros grandes games a apresentar, mas essa lista foi formada apenas com games cuja influência de FFT fica bem evidente. Vale a pena conferir…

E qual é o Sucessor Espiritual de Final Fantasy Tactics?

Ok… agora que já falamos sobre a lenda conhecida como Final Fantasy Tactics e seu legado, podemos tentar dar uma resposta à questão que motivou todo este texto: “qual é o sucessor espiritual de Final Fantasy Tactics?”.

Nesse caso, como eu dediquei muitas horas às minhas aventuras e “reaventuras” em FFT, acredito estar habilitado a responder à questão levantada acima. E a resposta, na minha visão, pode ser dividida em duas partes…

War of the Visions: Final Fantasy Brave Exvius

Há alguns dias, eu avisei a todos os leitores da GamesMAX que um “novo Final Fantasy Tactics” estava a caminho. Esse game, chamado War of the Visions: Final Fantasy Brave Exvius, conseguiu despertar a minha atenção, por conta de alguns detalhes.

Daí, o jogo foi lançado (para Android e iOS) e as minhas expectativas foram atendidas. Em termos de sistema de combates, esse game refina os grandes aspectos de FFT e oferece conflitos dinâmicos e altamente estratégicos.

No aspecto visual, War of the Visions: Final Fantasy Brave Exvius exibe uma mescla de modernidade e arte. As ilustrações são lindas e os modelos 3D conseguem criar a visão de que estamos jogando Final Fantasy Tactics com personagens do memorável FFVIII.

Já dediquei algumas horas ao game e posso dizer que esse é um Sucessor Espiritual de Final Fantasy Tactics. Para afirmar isso, uso como base o belo sistema de combates, o sistema de “Jobs”, as árvores de habilidade e a história.

Embora eu ainda não tenha “zerado” a história, War of the Visions apresenta uma trama bem política, com maquinações de diversos reinos, questões diplomáticas, sequestros forjados, alianças por casamento… enfim, um “prato cheio” para quem ficou “mal acostumado” com o alto nível de FFT.

Entretanto, mesmo apresentando muitas virtudes, War of the Visions: Final Fantasy Brave Exvius, na minha visão, peca pelo excesso…

O grande “porém”

Como bem sabemos, jogos mobile gratuitos são monetizados por meio de lojas “in-game” e anúncios. Por conta disso, esses jogos apresentam uma série de sistemas voltados a manter os players “presos” ao jogo.

Em War of the Visions: Final Fantasy Brave Exvius, todos esses sistemas mexem com o coração de quem jogou os melhores jogos da franquia Final Fantasy. E a intenção continua sendo “amarrar” o player.

Tudo que é feito no game tem um apelo emocional. As trilhas sonoras remetem aos clássicos, sistemas de “Limit Break”, “Summons/Espers” (que ficaram até melhores do que as de FFT), eventos com outros jogos da franquia (estou na expectativa para jogar com algum personagem de Final Fantasy VII)… é muita coisa.

Diante de tudo isso, posso dizer que “o lado single player” de War of the Visions: Final Fantasy Brave Exvius está à altura daquilo que se espera de um Sucessor Espiritual de Final Fantasy Tactics, mas o “lado multiplayer/comercial” prejudica essa experiência.

Não, não estou dizendo que o jogo é ruim. Pelo contrário, estou adorando. O que eu estou dizendo é que o jogo, se fosse criado para ser uma experiência single player, seria uma experiência digna da grandeza do nosso amado FFT.

Fell Seal: Arbiter’s Mark

A segunda parte da minha resposta (à questão: “qual é o sucessor espiritual de Final Fantasy Tactics?”) tem relação direta com o mundo indie. Dentre os jogos indie, não é nada incomum encontrarmos jogos que se apresentam como releituras ou produtos inspirados por grandes títulos.

Esse é o caso de Fell Seal Arbiter’s Mark, que foi lançado em 2019 (para PC, PS4, Xbox One e Switch). Esse jogo é a “experiência single player” que War of the Visions: Final Fantasy Brave Exvius poderia ter sido.

Já em seus primeiros momentos, Fell Seal Arbiter’s Mark exibe um visual artístico lindo e a cena de uma grande construção (parecida com um igreja) já transporta o player para uma das primeiras cenas de FFT.

E nesses primeiros momentos, já temos um combate. Novamente, FFT vem à mente. Depois, temos uma pausa para avaliar o menu e… não há como não se emocionar… o sistema de “Jobs” é tão lindo quanto o de FFT.

Cabe destacar que até mesmo os desenvolvedores do jogo deixam claro que o game foi inspirado em Final Fantasy Tactics.

E o mais interessante é que a trama, até onde eu pude verificar, também é carregada de temas complexos. O jogo apresenta um mundo regido por sete imortais e pelos Mediadores, que são representantes dessas “divindades”.

O papel desses Mediadores é ajudar os sete imortais a manter a ordem no mundo. Todavia, a corrupção, o dinheiro, as lutas entre classes sociais… todos esses assuntos acabam alterando o status quo de um mundo que deveria ser perfeito, ou quase isso.

E o “porém”…

Por mais que Fell Seal Arbiter’s Mark seja uma verdadeira homenagem a tudo que Final Fantasy Tactics nos deu, o game carece do dinamismo que War of the Visions apresentou. As batalhas são desafiadoras, mas apresentam um ritmo bem lento e isso pode frustrar alguns jogadores mais novos.

Diante disso, o que eu posso dizer é: Fell Seal Arbiter’s Mark é o game que mais se aproxima do lendário Final Fantasy Tactics e War of the Visions é uma representação daquilo que um FFT moderno poderia ser.

Em outras palavras, temos um game que aposta no ato de seguir as premissas de um clássico e um game que aposta em usar essas premissas como base, para oferecer uma experiência renovada.

Qual é melhor? Bem, não há melhor… é tudo uma questão de ponto de vista e daquilo que você, como fã de Final Fantasy Tactics, espera de um Sucessor Espiritual do game.

Final Fantasy Tactics: um história memorável que gerou outras histórias memoráveis

Concluindo, como a história de Final Fantasy Tactics foi encerrada no jogo (naquela cena tocante), é muito provável que jamais tenhamos um verdadeiro sucessor. Por conta disso, a aposta em Sucessores Espirituais é mais do que válida.

Os meus dois candidatos a esse posto: War of the Visions: Final Fantasy Brave Exvius e Fell Seal Arbiter’s Mark se encaixam nessa ideia. Porém, esses games deixam claro que o grande tesouro de FFT foi o seu legado.

O game foi lançado há mais de 20 anos e ainda é venerado a ponto de influenciar jogos lançados há poucos anos. E essa influência se revela em diversos aspectos, o que acaba sendo uma prova de que Final Fantasy Tactics é um título tão profundo, que conseguiu transcender as linhas do tempo.

Para encerrar, espero que você consiga se divertir com Fell Seal Arbiter’s Mark, War of the Visions: Final Fantasy Brave Exvius e outros RPGs Táticos que eu relembrei aqui. Aliás, não deixe de conferir também o meu preview do promissor RPG Tático Immortal Realms: Vampire Wars. Com toda a certeza, esses títulos irão garantir experiências bem interessantes para você.

E, claro, se você acha que existe outro candidato de peso ao posto de Sucessor Espiritual de Final Fantasy Tactics, indique-o logo abaixo, no campo dos comentários. Se não tiver uma indicação, fique à vontade para falar sobre as suas memórias em relação a essa obra-prima da era do PS1… até a próxima!

Yohan Bravo