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Cyberpunk: entenda esse gênero tão complexo e inspirador!

A não ser que você estava em outro planeta até agora, certamente ouviu falar da palavra Cyberpunk nos últimos tempos. E mais especificamente em Cyberpunk 2077, o novo jogo da CD Projekt Red, programado (e adiado mais uma vez) para Setembro deste ano.

Da mesma desenvolvedora do aclamadíssimo The Witcher, Cyberpunk 2077 tem tirado o sono de muitos gamers que não veem a hora de entrar de cabeça nesse universo futurista. Sendo assim, eu pergunto: você sabe de onde surgiram as inspirações para esse jogo? Ou melhor, você sabe o que é Cyberpunk?

A origem do gênero Cyberpunk…

Hackers, internet, futurismo, modificações corporais, luzes neon e nenhum senso de moralidade… certamente, você já viu alguns desses elementos por aí, em certos jogos ou filmes. No entanto, o gênero Cyberpunk surgiu bem antes, na literatura do século XX.

O termo foi criado pelo escritor Bruce Bethke, para seu conto “Cyberpunk”, que foi lançado em 1983. Após o surgimento desse termo, várias obras que se encaixavam na definição foram incluídas como parte do gênero.

O uso do termo Cyberpunk foi popularizado pelo editor de ficção científica Gardner Dozois, influente editor de publicações desse gênero, tendo trabalhado na revista especializada em ficção científica “Asimov Ficção Científica”, que leva o nome de um dos maiores escritores do gênero.

Nesse nicho de escritores Cyberpunk, destaca-se William Gibson, autor de Neuromancer, o livro que inspirou profundamente a série Matrix.

O que define o gênero?

O gênero Cyberpunk se destaca por romper com a ficção científica tradicional e focar sua narrativa principalmente na relação entre cérebro e computadores.

É muito comum que, em obras desse gênero, o protagonista, ou personagens importantes, sejam hackers. No lugar de grandes naves modernas e viagens espaciais, o Cyberpunk mostra a nossa Terra… suas ruas, becos e vielas caóticos e iluminados por luzes de neon à noite.

Substituindo grandes impérios intergalácticos, temos a ausência de Estados formais e o poder concentrado em corporações privadas ou governos decadentes e corruptos.

A vigilância tecnológica é constante. Por isso, é comum vermos as pessoas sendo vigiadas de todas as maneiras possíveis, desde as câmeras até o controle de acessos na internet.

Nesse planeta socialmente decadente, os códigos civis são destruídos, a noção de moralidade é distorcida, as relações pessoais são tão decadentes quanto a organização social em si.

O desenvolvimento tecnológico promoveu melhorias para o corpo humano. Naturalmente, aqueles que não têm dinheiro suficiente são excluídos das “melhorias de melhor qualidade”. Chips sob a pele, olhos biônicos, melhoramentos cerebrais, órgãos artificiais, tudo isso está disponível para quem puder pagar.

A abordagem principal dessas obras não é a tecnologia em si, mas a relação das pessoas com ela…

Pobreza, exclusão social, opressão governamental, colapso econômico, pós-capitalismo, vigilância, moralidade, sexualidade, decadência social e informação em tempos de conexões cibernéticas mundiais são pontos tão importantes para serem observados e debatidos como as maravilhas tecnológicas que essas obras apresentam.

Enquanto muitas vezes a ficção científica tradicional exalta as grandes mudanças que a tecnologia trouxe, o gênero Cyberpunk aborda o dia a dia das pessoas e sua relação com essas tecnologias.

Acompanhamos a vida de hackers, como em Neuromancer e Matrix, observamos a exploração dos replicantes, como no filme Blade Runner, a criação de ciborgues humanos, como em Ghost in the Shell, os distúrbios sociais e políticos nesses futuros distópicos, como visto em Akira, além de obras famosas que incorporam elementos do Cyberpunk, como Matrix e Robocop.

O Cyberpunk e os Games

Voltando a falar especificamente dos games (após esse longo texto), posso afirmar que o gênero Cyberpunk também não é novidade nesse universo. Aliás, o próprio Neuromancer foi adaptado para um jogo, em 1988. O título foi desenvolvido pela Interplay, que é mais conhecida por ter criado a série Fallout e publicado Baldur’s Gate e Earthworm Jim.

Outras adaptações de obras Cyberpunk foram lançadas posteriormente, como Blade Runner e Matrix. Também foram lançados jogos originais, não inspirados em obras Cyberpunk. Em 1988, a Konami lançou Snatcher, criado por Hideo Kojima, o autor de nada mais nada menos que a franquia Metal Gear.

Ainda nos anos 80 (em 1989, mais especificamente), o primeiro jogo da franquia Shadowrun foi lançado e deu início a uma das séries Cyberpunk mais relevantes e populares. Essa série se destaca por misturar elementos de fantasia ao mundo Cyberpunk (magia, elfos, anões, orcs, etc.). Podemos dizer que é o casamento de O Senhor dos Anéis com Blade Runner.

Em tempos mais atuais, posso citar a série de jogos Deus EX, que apresenta um mundo semelhante ao que veremos em Cyberpunk 2077. Então se você quer saber um pouco do que espera por você, confira essa série.

A inspiração de Cyberpunk 2077

A própria história do jogo Cyberpunk 2077 começa há décadas atrás. O jogo da CD Projekt Red é inspirado na série de jogos de RPG de mesa chamados de… Cyberpunk.

Esses jogos são marcados por apresentarem vários sistemas ambientados em períodos específicos. Em 1988, foi lançado Cyberpunk, ambientado no ano de 2013. Em 1990, Cyberpunk 2020 foi lançado. Anos depois, em 2005, foi lançado o sistema Cyberpunk V.3, ambientado em 2030.

Mas, e Fallout…?

É muito comum em discussões na internet vermos alguém comentando sobre Fallout e incluindo a franquia no gênero Cyberpunk. Apesar de algumas influências, a série se encaixa no subgênero atompunk, ambientado em um mundo retrofuturista.

O gênero atompunk tem como argumento principal a utilização da energia atômica e se inspira principalmente no período da Guerra Fria. Discute-se a paranoia de uma guerra nuclear e o conflito ideológico entre capitalismo e comunismo.

Sua estética está muito ligada ao “american way of life” e ao retrofuturismo, que é uma visão do futuro pelo ponto de vista das pessoas que viviam naquela época. Algo como publicações dos anos 50 e 60 que imaginavam os anos 2000 com carros voadores, armas laser, etc.

Enquanto você espera por Cyberpunk 2077…

Agora que você já conhece mais sobre o gênero Cyberpunk, suas inspirações e propostas, espero que você aprecie bastante o jogo Cyberpunk 2077.

Podemos esperar uma narrativa complexa e um enredo que faça jus ao gênero, então preste atenção a cada linha de diálogo, à estética aplicada nos cenários, à personalidade dos personagens, suas motivações, etc. Muitas vezes os detalhes dizem muito sobre essas obras e tenho certeza de que sua experiência será muito rica.

PS: Aos fãs do gênero que podem me odiar por não ter citado algum autor, obra ou jogo, me perdoem. Eu tentei resumir bem o assunto para não ficar desgastante. De todo, separei abaixo uma lista com alguns “títulos Cyberpunk” para você jogar, enquanto aguarda pelo promissor game da CD Projekt Red.

Aproveite a viagem…

Deus EX

Shadowrun

The Surge

Katana ZERO

Ruiner

>observer_

System Shock

Transistor

Remember Me

The Red Strings Club

E.Y.E. Divine Cybermancy

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Arthur Tayt-Sohn

Apreciador de bons jogos e da arte do desenvolvimento de games. Jogando desde os anos 90, passando por consoles Atari, Sega, Nintendo e Sony, hoje jogador da plataforma PC. Final Fantasy 7 é meu jogo preferido, mas amo aqueles jogos que contam histórias tão incríveis que talvez não caibam em um livro, como Xenogears e NieR:Automata. Admirador da arte de criar jogos, acredito que boas histórias e uma trilha sonora de qualidade são tão fundamentais quanto gameplay.

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